Florian Kruse é uma das promessas da House Music alemã para 2009. Irmão do produtor Vincenzo - ícone da música eletrônica de Hamburgo desde meados dos anos 90 -, Florian já lançou faixas pelos selos Urban Torque, Global Underground, Slip N’ Slide, Om e Dieb, entre outros.
O DJ/produtor deu os primeiros passos na música depois de ganhar um toca-discos do irmão, em seu aniversário de 13 anos. Mas foi quando Vincenzo lançou as primeiras tracks pelo selo Raw Elements, de Steve Bug, que Florian decidiu, definitivamente, seguir os passos do irmão mais velho.
Conheça um pouco mais sobre Florian Kruse na entrevista a seguir.
Como você começou a produzir?
Aos 16 anos, comprei uma mesa Mackie de 14 canais, um sampler Akai S20 e um sintetizador Roland Super JV 1080 e eu e meu primo começamos a fuçar.
Aos 19, enquanto trabalhava na Public Propaganda, que elaborava as paradas de dance music na Alemanha – época em que também consegui minha primeira residência como DJ, no clube Kabana, de Hamburgo -, comecei a ter acesso a muito material das gravadoras e contato com DJs e produtores, o que me inspirou para trabalhar em minhas primeiras produções voltadas à House Music.
Então, dois anos depois, comecei o curso de engenheiro de áudio em uma faculdade aqui em Hamburgo, onde acabei lecionando durante alguns anos. Em seguida, fui trabalhar em uma produtora de áudio chamada NHB, onde eu criava jingles e fazia locuções, inclusive para alguns grandes comerciais de TV e rádio.
Recentemente, eu e meu sócio Nils Nurnberg, alugamos um estúdio com equipamentos de última geração, bem confortável, inclusive com cozinha e sala de TV para relaxar e receber os amigos.
Além de Vincenzo e Nils Nurnberg, quem foram as pessoas-chave para sua carreira até o momento?
Um dos caras mais importantes foi Christian Larsson, da SoundZ Limited e dos selos Slip N’Slide e Kicking Records. Foi ele quem lançou minha primeira track - em parceria com Ciro Vesuviano - e acabou se tornando meu agente em 2007.
Também tenho que mencionar Athens Stel, John e Kostas, da Dieb Audio, Basti e Toddie da Knee Deep, Leigh Morgan da Urban Torque, Alf Tumble e Combo da Heya Hifi e Robert Grega da Om Records.
O mundo da música eletrônica funciona assim: você conhece uma pessoa que conhece outra, que conhece outra... e se suas produções chamam a atenção desses caras, surge a oportunidade de lançar alguma coisa pelos selos deles.
Você vem fazendo seus sets em diversos países da Europa, como Espanha, Inglaterra e Grécia, entre outros. Qual foi a apresentação mais memorável até agora?
As mais memoráveis foram as festas da Om Records e Freerange em Londres, no ano passado, quando toquei com Charles Webster, Jimpster, Paul Woolford e Matt Masters.
Sendo um adepto do vinil, em todas essas viagens, você não se cansa de carregar tanto peso? Não pensa em se render ao Serato, CD’s, ou alguma outra tecnologia?
Bem, eu compro e toco muito vinil e planejo continuar lançando minhas faixas nesse formato. É uma sensação incrível segurar um disco antes de colocá-lo para tocar. O dia em que recebo meus lançamentos prensados em vinil do selo ou da distribuidora, me sinto como se fosse meu aniversário ou Natal, é demais! Além disso, eu percebo a diferença no som. Pode soar como um clichê, mas o som do vinil tem muito mais pressão e “calor”, na minha opinião.
Por outro lado, ultimamente, 10% de meus sets é feito com CD’s, que me dão a possibilidade de tocar faixas que ainda não foram lançadas e que recebo por e-mail. Não tenho nada contra o som das CDJs Pioneer, mas não gosto do Serato e do Traktor, que soam muito “magros” e digitais para o meu gosto. Acho que devem ser uma boa solução apenas para quem tem problemas de coluna (risos).
Como anda a cena de Hamburgo, na sua opinião?
É legal porque é bem familiar, todos se conhecem. Outra coisa interessante é que todos os clubes ficam próximos um do outro, então dá pra ir a pé a vários deles e curtir um pouco em cada um.
Meu clube preferido é o Baalsaal, tem ótimas festas lá. É um lugar escuro, com um jeitão bem underground e com um sistema de som excelente. No andar superior, funciona o Neidclub, que também é legal, bem enfumaçado e que toca bastante disco.
Tem também o Ubel & Gefahrlich (Malvado & Perigoso), que é um velho depósito da II Guerra Mundial, onde o pessoal da DIYnamic costumava fazer suas festas mensais, com grandes nomes como DJ Hell, Miss Kittin e Tiger Stripes, entre outros.
Foi aqui que Stimmimg, H.O.S.H. e Solomun iniciaram suas carreiras.
Para finalizar, quais os planos para o futuro?
Eu, Nils e Stel estamos trabalhando em um novo projeto chamado Wiretappeur. Temos também um EP de duas faixas (mais alguns remixes), que será lançado em breve pelo selo Fresh Meat. Pretendemos também trabalhar bastante em nossa produtora e nosso selo (Save Room Recordings), que já lançou faixas e remixes de artistas como Dualton, Scope, Scary Grant e Ciro Vesuviano. O próximo lançamento será do I/O, da Ucrânia, com remix de Jeff Bennett.
Em relação às apresentações, estou ansioso para tocar no Sonar Festival, em Barcelona, no dia 20 de junho pela Om Records.
Planos para o Brasil?
Adoraria tocar no Brasil. Só ouço maravilhas daí, sobre a beleza dos lugares e das pessoas. Já tive e toquei alguns discos de Latin House de produtores brasileiros, se não me engano. Agora é só aguardar um convite, né? Quem sabe em breve...
11/05/2009
Florian Kruse, o talento está no sangue.
Postado por Plastiq às 14:29
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1 comentários:
Grande Plastiq!
Sempre mostrando o que há de melhor nas tendênciais mundiais.
Parabéns pela matéria.
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